terça-feira, 10 de maio de 2011

Uma história para não servir de exemplo

Muitas vezes nos perguntamos: por quê a maioria dos brasileiros não se preocupa com a política? Pesquisas recentes mostram que, poucos meses após as eleições de 2010, 20% dos eleitores já nem sabiam mais em quais deputados haviam votado.

Não está no nosso gene esta preocupação ou melhor, esta participação na vida política diária do País simplesmente porque fomos "criados assim". O resultado que vimos hoje nada mais é do que um reflexo daquilo que começou há pelo menos 510 anos quando, então, o Brasil foi "descoberto".

A formação da Nação brasileira foi por dezenas de décadas solapada, começando pelo poder central, direto de Lisboa, que acabou usando os índios que aqui viviam como escravos, lhes impuseram religião, costumes e levaram embora suas riquezas, sem que , ao menos, eles soubessem que valiosas eram as coisas que tinham.

Vieram, com o Brasil Império, os barões do café, com eles um forte crescimento econômico, forte tráfico negreiro e, muito tempo depois, a abolição da escravatura. Começara a formação dos coronelismos regionais. Grandes senhores ditando regras em imensidões territoriais, tendo a população "livre" como súditos, dependentes dos favores oriundos da influência concedida aos "coronés" - uns mandavam, muitos obedeciam.

Chegou a atual República, com toda esta herança de exploração, submissão e afins. Dento dela passamos por períodos populista-autoritários que áinda há pouco tempo ajudou a fortalecer a aversão do brasileiro à política.

A história nos ensina mas não nos abandona.

Desde os governos municipais até o Governo Federal nos deparamos com o patrimonialismo, com o "legislar em causa própria", com troca permanente de favores entre homens que confundem o público com o privado e vice-versa. Escândalos quase que diários de pessoas que deveriam dar o exemplo de retidão, de austeridade.

Para esta realidade, só temos uma atitude possível: a participação. O "começar a participar". Hoje, com a democracia vigindo, temos condições de acelerar com força este processo histórico de desapego à participação

Sem ela não conseguiremos refazer os caminhos que serão trilhados pelo País nesta e nas futuras gerações. Ao nosso lado temos armas capazes de provocar mudanças em massa - a internet e suas redes sociais.

Basta sabermos usá-las como ponto de encontro daqueles que querem um Brasil melhor e, daqui uns 100 anos gostariam de ouvir das gerações vindouras: "nossa história serve de exemplo"!

E a história se faz durante cada vida, de cada pessoa. Deixemos nossa marca nela!

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